quinta-feira, 11 de junho de 2009

X da Educação 01/04/2009 10h59min
“Alguns alunos sofrem mais do que os outros”
Entrevista: Professora de Ensino Fundamental
Professora de uma escola pública da Região Metropolitana que prefere não se identificar e não localizar o estabelecimento para evitar represálias e constrangimento, uma educadora conversou ontem à tarde com Zero Hora e descreveu algumas das turbulências que costumam afetar o período de recreio e preocupar alunos, pais e responsáveis pelas escolas.
A seguir, um resumo da entrevista:
Zero Hora – Por que o recreio é um período complicado?
Professora – Tem um foco de violência, da comunidade ao redor que quer entrar na área da escola, e conflitos entre os próprios adolescentes. Não temos guardas, que teriam uma capacidade maior de intimidar. Os porteiros acabam fazendo essa função de intimidar conflitos que possam ocorrer.
ZH – Precisaria de guarda?
Professora – Com porteiro, já tem um controle maior, mas não total. Na verdade, não dá para controlar só por meio disso. Tem de trabalhar a questão da paz, da violência, que é uma realidade mundial. O porteiro ajuda muito por sua presença no pátio, embora vigiar os alunos nem seja a sua função. Um guarda iria inibir mais, mas também não iria resolver tudo.
ZH – Que tipo de problemas costumam ocorrer durante o recreio?
Professora – Em algumas escolas, a direção acompanha, fica presente durante o recreio, e isso intimida a violência entre os alunos. Além disso, contribui para controlar a entrada de quem não seja da escola. Mas onde há menos vigilância, há conflito entre os estudantes.
ZH – Com agressões físicas, até.Professora – Às vezes, com agressão física, embora não aconteça seguido, mas acontece. Também preocupam essas tentativas da comunidade em volta, algum ex-aluno, ou namorado de aluna, que quer entrar. Não sabemos quem é a pessoa, o que ela quer, então é complicado porque somos responsáveis pela proteção de quem é aluno.
ZH – Há muita hostilidade contra alguns estudantes?
Professora – Há alunos que sofrem mais do que os outros. Mas, na maior parte das vezes, se concentra em momentos de conflito. Não é sempre. O recreio é o maior momento de interação entre os colegas. Tem gente que acaba indo para a escola pelo recreio.
Saiba mais: Recreio sem diversão e com violência
O X da Educação 31/03/2009 08h40min
Tem que agir, diz intérprete de pai permissivo na novela das oito
Entrevista com Antonio Calloni, o César de Caminho das Índias, da Rede Globo
Aos 47 anos, Antonio Calloni dá vida a César, um pai sem caráter que aplaude as atitudes violentas do filho Zeca (Duda Nagle), estudante encrenqueiro e de péssimo comportamento na escola.
César e Zeca, personagens controversos na novela Caminho das Índias, da Rede Globo, despertam, aos poucos, uma discussão nacional sobre as consequências na permissividade no comportamento de crianças e adolescentes.
Calloni conversou com ZH sobre César, filhos e violência. A seguir, trechos da conversa:
Zero Hora – Como tem sido a repercussão do personagem César?
Antonio Calloni – Por meio do César, você discute a falta de ética, o abuso do poder, a falta de limites da educação de um filho, que tem a ver diretamente com a violência escolar. As pessoas que fiquem indignadas com o personagem, que fiquem indignadas com a ficção, mas, principalmente, que fiquem indignadas com a vida real. Não adianta só ficar indignado, tem de agir. O Brasil precisa de ação. Como pai, a gente pode ajudar estando sempre perto do filho, tendo uma afetividade saudável, não uma afetividade deformada, achando que tudo o que o filho fala é bom. Ele tem de ter limites.
ZH – O senhor fala que o Brasil “precisa de ação”. Que tipo de ação?
Calloni – Uma ação mais efetiva dos poderes públicos. A nossa ação é o nosso trabalho. Com o nosso trabalho, pagamos impostos. Isso já é uma ação concreta. Aliado a isso, a reivindicação perante os poderes públicos de tomarem uma atitude concreta em relação à punição de uma agressão na escola, a resolução definitiva do problema da violência no Brasil.
ZH – De que forma o César pode contribuir para uma discussão nacional sobre violência nas escolas?
Calloni – Pelas próprias atitudes dele. O César é o primeiro mau exemplo. Acho que você também educa através do mau exemplo: não façam como o César! São atitudes atrozes.
ZH – O que as pessoas dizem na rua?
Calloni – A repercussão é maravilhosa. Apesar de não ser vilão, ele é pior do que um vilão porque ele não é mau-caráter, ele simplesmente não tem caráter. As pessoas falam com muita raiva, mas com um sorriso no rosto. Percebem a intenção do trabalho e, ao mesmo tempo, ficam indignadas com o personagem.
ZH – Até que ponto figuras paternas determinam o caráter de um filho?
Calloni – O exemplo masculino inevitável é o pai, né. Então, acho que a educação precisa ser muito mais através de atitudes do que de discurso bonito. Você precisa ter atitudes éticas perante o seu filho, nunca querendo que ele pense que você é um super-herói, mas sempre mostrando os teus defeitos, as tuas fragilidades.
ZERO HORA
O X da Educação 10/06/2009 17h10min
Reprovação no Ensino Médio dobra em nove anos no país
Piora é reflexo de problemas no currículo, afirmam educadores
A proporção de alunos do Ensino Médio que repete de ano no país chegou a 12,7% em 2007, o dobro do que em 1998, apontam dados do Ministério da Educação divulgados ontem em relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Educadores afirmam que a piora é reflexo de problemas no currículo, centrado em conhecimentos específicos das matérias (diversas fórmulas em química ou física, por exemplo, sem que o aluno entenda a importância e a aplicação delas). Os alunos, dizem eles, não têm motivação para a escola, que não prepara para o mercado nem para a universidade. A repetência também aumentou no Ensino Fundamental, mas de forma menos acentuada (veja quadro).
O MEC afirma que, para melhorar o Ensino Médio, busca diversificar a etapa, com ampliação da oferta de ensino profissionalizante e a possibilidade de mudanças no currículo – proposta analisada pelo Conselho Nacional de Educação.
Além de apontar deficiências, o relatório mostra avanços na educação, principalmente em número de matrículas.
ZERO HORA
X da Educação 28/05/2009 14h50min
Censo aponta falta de formação na escola
Segundo o MEC, 20% dos professores brasileiros não têm habilitação exigida para a função
Um em cada cinco professores de Educação Básica (20%) não poderia dar aulas, se a legislação fosse levada ao pé da letra no país. Ao todo, pelo menos 382 mil professores do total de 1,9 milhão de profissionais em atividade precisam de um diploma imediatamente, revela estudo que será lançado hoje pelo Ministério da Educação (MEC), com dados de 2007.
Asituação mais preocupante é dos professores leigos – aqueles que só cursaram o Ensino Fundamental ou o Ensino Médio regular. Isso significa que eles sequer poderiam lecionar em creches, pré-escolas ou turmas da 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental.
– A creche e a pré-escola são espaços importantes para as crianças terem acessos a normas da vida em grupo. Se elas são cuidadas por pessoas sem uma formação específica para lidar com a primeira infância, eles terão cuidado, mas não terão a educação – avalia a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda.
Outros 136 mil professores estão em situação irregular: concluíram apenas o magistério, mas lecionam nas séries finais do ensino fundamental (5ª a 8ª séries) ou até no médio. Para dar aulas da 5ª série em diante, a lei exige a graduação em curso de licenciatura.
Para mudar esse cenário, o Ministério da Educação deve apresentar hoje ou nos próximos dias um projeto de lei que prevê a obrigatoriedade de uma graduação em nível superior para todos os professores da educação. Pela proposta, o curso superior de licenciatura passará a ser a formação mínima obrigatória para os docentes dos anos iniciais do ensino fundamental. Para professores de educação infantil, nada muda: os requisitos continuarão a ser apenas o Ensino Médio.
A proposta integra o Plano Nacional de Formação dos Professores, que prevê ainda a oferta, em 90 universidades públicas, de 330 mil vagas extras para formar os docentes que já atuam na rede e não têm graduação. Vinte e um Estados elaboraram seus planos e encaminharam as demandas de formação às instituições de ensino que começam a preparação desses profissionais já no próximo semestre. O ministro da Educação, Fernando Haddad, acredita que até 2014 será possível qualificar todos os professores da rede que necessitam de formação. O MEC repassará às instituições de ensino R$ 1,9 bilhão de recursos extras para custear essa formação.
– Nossa pretensão é oferecer a oportunidade a todos os docentes em serviço. A ideia é estabelecer isso como um direito: todo professor tem direito a formação adequada, tanto quanto todo aluno tem direito a matrícula na escola pública – comparou.
ZERO HORA
Educação: AS MARCAS DA VIDA
Manoel Jesus, Professor de Comunicação da UCPel
Alguns podem me acusar de saudosismo, mas não é assim. Infelizmente, no que se refere à educação, involuímos, voltamos tristemente para trás. Havia uma fórmula simples, mas eficaz: as famílias davam os primeiros ensinamentos, especialmente no que se referia aos valores e às referências, auxiliadas pelas igrejas, e quando a criança chegava ao ensino formal já tinha um lastro, em condições de alcançar o seu desenvolvimento.
Onde deu errado? Já foi dito: a família foi colocada em xeque, mesmo que não se tenha encontrado nenhuma estrutura alternativa em condições de suprir as carências dos primeiros anos. A mãe, como referência em educação, precisou sair para o trabalho, complementando a renda familiar; enquanto a autoridade do pai passou a ser questionada, nas coisas mais simples, como uma palmada, que pode ser pedagógica, na maior parte das vezes doendo mais em quem dá do que em quem recebe.
As igrejas perderam a sua força e bispos, padres, pastores, hoje, são apenas vistos como “figuras interessantes”, mas não ditam normas e orientações para a maior parte da população. E a educação formal, especialmente a pública, enfrenta grandes e sérios problemas, sem solução a curto ou médio prazo. Isto é um raio-X superficial de uma questão onde as perguntas são muitas e as respostas poucas. Não podemos voltar ao passado para refazer o caminho onde erramos, mas também não podemos descartar as experiências que deram certo.
Tenho visto escolas anunciarem um ensino de qualidade e “puxado”, onde as normas são claras e cobradas dos alunos, professores e pais. E, depois de todas as experiências “democráticas”, os responsáveis entendem que há regras que precisam ser seguidas e produtividade que precisa ser cobrada para que se desenvolvam padrões de aprendizado.
Não estou advogando “linha dura” nos colégios, mas que entre a oferta de ensino, convívio, prática esportiva, muitas vezes a própria alimentação, fique claro para alunos e seus pais que não há vitórias no ensino sem que haja esforço e colaboração. Não há professores “bonzinhos”, ou “maus”. Há preocupação com aqueles que julgam que “dando uma mãozinha”, agora, vão se dar bem mais adiante. Não vão. Esta etapa só pode ser vencida por quem entende que a cumplicidade entre educando e educador está, sim, numa cobrança recíproca que deixe marcas para sempre. As marcas que indicam os caminhos da própria vida.
Publicado em 27/02/2009

segunda-feira, 8 de junho de 2009

MEMORIAL MARIA HELENA OLIVEIRA
Estou fazendo o curso de pós-graduação. Depois de 28 anos de magistério e de ter formado minhas duas filhas resolvi fazer Pós-Graduação em PROEJA no CEFET de São Vicente do Sul. Não podia deixar escapar esta oportunidade, porque estou fazendo sem ônus e não preciso me deslocar da minha cidade. Fazer este curso em fim de carreira e voltar a estudar para mim é muito importante, porque além de aprender, vou ter mais conhecimento e vou crescer como ser humano.
Fiz meu primeiro vestibular para Farmácia, mas não consegui passar. No segundo, também. Sem poder pagar um cursinho, trabalhando para me sustentar, não tinha muitas condições para passar em Farmácia, mas mesmo assim fiz pela terceira vez e, como segunda opção, Letras.
Não passei de novo, mas me chamaram na segunda opção. Iniciei o curso de Letras em 1976 para não perder mais um ano. E foi aí que a coisa mudou. No segundo ano de faculdade, consegui trabalho como professora, que na época podia, e comecei a gostar de lecionar. Fui fazendo a faculdade aos poucos, quer dizer, cursava três disciplinas por semestre, pois precisava trabalhar. Em l979 casei e fui morar em Alegrete. Fui transferida para a Escola Estadual Polivalente e estudava à noite. Nesse meio tempo tive duas filhas. Em l983, terminei a Faculdade. Não tive problema para conseguir emprego, pois já lecionava e continuei trabalhando na mesma escola. Em l985 mudamos para o estado de Mato Grosso do Sul, na cidade de Dourados, onde tive uma experiência ruim de chegada. Substituí uma professora numa turma de 8ª série e tive que lidar com alunos com todos os tipos de problemas. Muitos pais desses alunos estavam presos por assassinato, roubo e drogas. No primeiro dia de aula o líder do grupo me disse que eu não daria aula pra eles, porque ele não queria, pois a professora que eu estava substituindo era muito boa e que até no seu colo ela sentava. Nesse momento, quase desisti da profissão, mas era isso que eu tinha escolhido para mim, era disso que eu gostava. Então, não seria por isso que eu iria desistir. Quando já estava dando certo meu trabalho com a turma, tive que ir embora para outra cidade perto dali, não por minha desistência, mas porque meu marido foi transferido para outra cidade, Maracaju, onde trabalhei por alguns anos. Dava aula para o curso do Magistério e Contabilidade. Aprendi muito nessa época. Fazíamos muitos cursos de formação, mas sempre faltava alguma coisa.
Em l989 mudamos de estado novamente e fui parar no estado do Piauí, precisamente em Uruçuí. Minhas duas filhas pequenas, já em idade escolar, foram para uma escola particular. Convidaram-me para lecionar, pois estavam precisando de professor. Trabalhei no Educandário Nossa Senhora da Conceição por quatro anos. Apesar de ser um estado muito pobre, tinha uma coisa muito boa, o professor era valorizado, pelos alunos e pelos pais.
Voltamos para o nosso estado em l994, por causa de nossas famílias.
Trabalhei um ano em Restinga Seca e viemos morar em São Vicente do Sul. Desde que aqui chegamos e que comecei a trabalhar na Escola Estadual São Vicente com o ensino regular, me questionava se os alunos estavam aprendendo como eu desejava que eles aprendessem. Eu não queria quantidade e sim qualidade. Nós vamos inventando e reinventando métodos. Em 2000, a escola São Vicente abriu o curso da Educação de Jovens e Adultos. A EJA é uma referência em termos de currículo para nós, professores, que trabalhamos com ela. Por que não trabalhar com o ensino regular do mesmo modo que trabalhamos com a EJA?
Minha neta, Luana, minha paixão, que tem apenas sete anos disse para a professora dela, a Ana Paula, nossa colega neste curso, que ela tem professora particular de Inglês, a Vó Maruti, no caso eu. Pergunto-me: Que grande responsabilidade é a minha de transmitir aquilo que eu sei, de uma maneira tão simples para que ela entenda?
Meus questionamentos vão se esclarecendo um pouco, mas ainda não cheguei ao ideal. Como ser e pensar para me aproximar daquilo que quero?

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Publicação: 02.06.09-10:40 Atualização: 02.06.09-10:43
http://www.estado.rs.gov.br/
Aberta seleção de textos para o programa Crianças do Rio Grande Escrevendo HistóriasAlunos de todas as séries do Ensino Fundamental das escolas estaduais podem encaminhar trabalhos para o Programa Crianças do Rio Grande Escrevendo Histórias, organizado pela Secretaria Estadual da Educação, por meio do Sistema Estadual de Bibliotecas Escolares. Os interessados devem encaminhar material até 30 de junho, por meio das Coordenadorias Regionais de Educação (CREs).
Os melhores textos e produções gráficas selecionados serão publicados em livro, que será lançado na Feira do Livro de Porto Alegre. O Programa Crianças do Rio Grande Escrevendo Histórias tem como objetivo a formação do hábito da leitura, produção textual e valorização do aluno no contexto educacional.
Outras informações podem ser obtidas diretamente com o Sistema Estadual de Bibliotecas Escolares, pelo telefones: (51) 3288-4793, 3288-4785 e 3288-4857.